Meu amar poético

 Hoje me peguei pensando no quanto idealizo e mistifico amores. Situações, ocasiões, pessoas e sentimentos que nunca serão um conjunto, talvez porque eu, mais uma vez me encaixo no papel de tola apaixonada.

É, as coisas não ficaram boas depois que você foi embora. Fui amontoando sentimentos em cima de sentimentos, como se um novo amor fosse tampar o buraco que você deixou. Isso por hora funcionou e me pareceu uma ótima ideia, até eu me dar conta da bola de neve que estava se formando aqui dentro do meu peito. Por mais que depois de tanto tempo o nosso amor já não seja o mesmo, seria minha maior mentira dizer que te ver, estar por perto e perceber os seus olhares não me bagunçam.

Você foi o que me meteu em toda essa confusão, eu que nunca fui das mais organizadas, me vejo hoje numa bagunça gigantesca. Me esconder em festas, bebidas, no meio de várias pessoas e outros caras já não me basta, eu sinto falta de ter alguém para chamar de meu e poder dizer a ele que agora estou pronta, que não falharei como falhei contigo.

Hoje, depois de tanto refletir e transformar essas vivências amorosas, entendo que você, suas lembranças e nosso amor só me permitiram seguir em frente quando eu me permiti viver o luto. Eu relutei com todas as minhas forças contra esse processo, como se soubesse que ele seria a peça chave para levar para longe tudo aquilo que me afligia. Bem, agora sei como lidar com os novos amores que virão e os possíveis términos. Entendo que um recomeço só se torna possível quando há um final, sem pôr ponto e vírgula onde ortograficamente deveria haver um ponto final.

O mais confuso é me dar conta que eu, que me via tão independente e bem resolvida, sinto falta de ter alguém ao lado, porém essa falta só se tornou possível através da aceitação. Me permiti viver um fim para ter enfim meu início. Como diria o sábio poeta Raul Seixas, “Ninguém no mundo é feliz tendo amado uma vez…”. Devemos como ele mesmo diz, perder o medo da chuva, entender que vivemos muitos amores durante a vida e que, cada qual tem sua singularidade, nos faz crescer e amadurecer de maneiras diferentes.

Ter muitos amores no decorrer da nossa vida não é feio ou não deixa de ser amor. O que desqualifica o amor é a pobreza de reciprocidade, respeito e principalmente o medo de doar-se ao outro. Sentimento que existe pois aos poucos, com tanta frieza, nós estamos desaprendendo a amar.

De toda essa aprendizagem que está longe de cessar, espero que eu, ao longo da minha vida tenha muitos amores e que eles não tragam consigo apenas esses aprendizados, mas que me rendam belos textos, para que a poesia de amar nunca morra, afinal escrever também é uma forma de amar.

Aline Koga

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