Ela é complicada

Às vezes me perco em pensamentos. Nos meus, nos seus, e naqueles que por hora poderiam por nós serem partilhados, ao menos na minha tola cabeça.

Eu queria em inúmeras ocasiões até, que, existisse esse nós que crio em minha mente torturadora, mas sim “em inúmeras ocasiões”, porém nem sempre. Confesso que existem dias que te quero longe, que não te quero de forma alguma, nem mesmo uma mensagem ou ver suas postagens cômicas nas redes sociais. Reconheço que essa minha inconstância te afeta, te confunde e que também te faz recuar.

Meus medos, inseguranças, bloqueios e implicâncias são projeções comuns no nosso convívio. Ou relacionamento? Sim, compreendo o significado de tal palavra, bem como a sua amplitude, mas existe, entre nós um combinado de não taxar ou nomear o que temos. Ou seria mais uma vez algo que eu e minha mente torturadora tenhamos imposto a você? É, creio que sim.

Eu lidaria tão bem com qualquer outro, eu sentiria e assumira com tamanha facilidade. Mas você, eu, nós. Ah, isso ainda me assusta assim como andar numa corda bamba estendida num rio de larva.

Sentimentalismos? Carícias? Declarações? Não! Não posso me desarmar ou deixar que saibam aquilo que escondo no mais fundo do meu eu. Cale seu coração, menina! Ouça a sua mente torturadora, dê voz a razão. Você sabe muito bem o que houve quando se deixou levar pela emoção. Que desastre!

E foram esses eventos, esses desastres que moldaram o que hoje sou, talvez sejam eles a melhor justificativa para todos esses meus bloqueios e mecanismos de defesa. Peças que compõem esse conjunto que por fim formam uma barreira quase indestrutível. Barreira que antes eu acreditava ser impenetrável, mas que, com a sua chegada e com suas tentativas bem-sucedidas de aos poucos e cuidadosamente rompe-la tem feito com que eu repense a ideia. Talvez seja porque o faz como se a escavasse com pequenas ferramentas, pacientemente, como se quisesse passar despercebido, apreciando sua lenta depredação.

Analogamente seria essa barreira aquilo que separa alguém de toda a dor que possa haver no lado de fora, mas que, em contrapartida a separa de todos os prazeres que lá coexistem. É o que me une e o que me separa de você, o que me traz e o que me leva, os passos que dou adiante e os que recuo. Por fim, todos esses pensamentos, questionamentos e analogias que confundem cada molécula do meu corpo. É uma eterna bagunça que inutiliza qualquer tentativa de arrumação. É estar de mãos atadas mesmo que estejam sem quaisquer amarras.

Aline Koga

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