Os amores que a vida nos traz

Às vezes penso no motivo de ser tão difícil encontrar alguém. Não qualquer alguém. Aquele alguém que faça desde seu amanhecer até o seu deitar magnificamente colorido. Aquela pessoa que faça a diferença, não que seja perfeito, tenho horror a coisas que se encaixam milimetricamente. Na verdade, são os amores tortos que me agradam, a estranheza me atrai, as peculiaridades instigam minha curiosidade e o mistério mantem meu interesse.

Ultimamente tenho refletido sobre os amores que vivi, não sei se seria certo usar o plural nessa palavra, estou crente que não. Talvez esses amores foram plurais apenas para mim, nessa minha tola forma de amar, com toda essa intensidade em entrar de cabeça em qualquer paixão rasa.

Ah, e tem aquele que você se lembrará sempre e passe tempo que for. Suas marcas estão quase eternizadas e os sorrisos gravados na mente, onde é necessário apenas fechar os olhos para aprecia-lo, e se quiser dá até para sentir o cheirinho daquele bom e velho perfume. É do tipo que você não quer desapegar, não das lembranças boas, não da família que acabou se tornando sua também e muito menos dos mimos que tinham. Mas que o sentimento, infelizmente se foi, ao menos para você. Ele é daqueles que causam uma dor insuportável na hora do adeus, que te faz acreditar que é apenas um momento e que mais para frente as coisas se ajeitariam e logo estariam juntos. É, não é bem assim. Mas vá lá garota boba, remexa nas gavetas para olhar aquelas fotos que ainda não teve coragem de jogar fora, vista a camisa dele e durma como se estivesse contigo em mais uma noite fria. Mas lembre-se, nada disso te fará ama-lo novamente, acabou!

Tem daqueles também que você conheceu por acaso. Ah se eu acreditasse nesse tal de acaso. Mas finjamos que ele exista. Há sim aquela pessoa que você esbarra no sorriso dele e fica toda desconcertada, que as mãos soam e que quando chega em casa, ainda meia abobada recorda as cenas dela sorrindo, mesmo que nessas lembranças ele esteja distante, em um grupo de amigos. E o abraço? Nossa! Aquele abraço! Mas xiu, ninguém pode saber, afinal é um sentimento proibido. Então você o carrega como um amigo, já que é esse o sentimento que pode e deve nutrir, mas como dizer isso ao coração? Explicar que os batimentos devem manter seu ritmo normal a cada mensagem recebida, que as pupilas não devem dilatar ao ver uma foto dele acompanhada daquele belo sorriso e seus um metro e noventa. A sorte é que mesmo traída pelo meu coração, minha mente sempre me lembra de recuar e manter uma distância segura daquele que para mim é como uma droga ilícita.

E não podia faltar aquele que você vê de longe, cutuca sua amiga e ri dizendo que um dia ainda desvendará todos os mistérios por detrás daquele olhar quase encoberto pelo capuz negro. É, eu desvendei os mistérios e mergulhei fundo em seus segredos. Me tornei um deles, na verdade nosso amor se tornou o nosso mais precioso segredo, daqueles que guardamos a sete chaves. Eu disse sete? Sim, disse. Mas foi apenas para soar poético, na verdade o escondemos por detrás de veias pulsantes, porque para nós aquilo era somente nosso e ninguém precisava ter conhecimento sobre. E esse é daqueles amores mistificados, do tipo que você sempre busca em pensamentos os motivos os quais fizeram com que não déssemos certo. Ainda ouço as músicas que ouvíamos juntos, elas ainda me fazem sorrir, ainda lembro de cada promessa e se me perguntarem de você, eu direi que fomos bons e velhos amigos.

Mas talvez a mais dolorosa seja aquela paixão instantânea, que desperta em você sentimentos intensos em poucas horas juntos. Ele é daqueles que conseguem te transportar para outra dimensão em segundos, só com um olhar, só com um sorriso, só com um beijo… Mas só? Sim, só. Porque ele é daqueles que passam pelas nossas vidas e deixam um gostinho de “fica mais um pouco”, mas que por obra do acaso aliado a maldita distância o carregou para longe dos meus braços, olhares e carícias. Mas que nunca se distanciará da minha mente e do meu coração. Ainda procuro algo para culpar e não encontro nada mais digno de culpa do que os muitos quilômetros que nos separam… talvez essa paixão dure até eu desvendar o mistério desse sorriso tão envolvente e encantador, ou talvez eu deva mesmo apreciar essa doce paixão que quase me faz esquecer as horas de viagem que nos separam, me fazem crer que logo estarei envolta do seu abraço que me acolhe como um uma cama quente em uma noite chuvosa.

O mais bonito é a singularidade de cada uma das paixões que vivemos durante a vida, como se cada uma viesse para preencher a lacuna que o outro deixou, ou até mesmo para fazer um curativo naquela ferida que ainda estava aberta. Não digo isso por acreditar naquele velho clichê de que “Só um novo amor cura a dor de outro”, mas sim porque após a recente decepção nos sentimos desolados e buscamos no próximo amor características diferentes, tentamos agir, pensar e amar de outra maneira. E essa busca nos faz evoluir, nos faz crescer e finalmente nos faz amar no seu real sentido, por tentar se aperfeiçoar e se adequar para estar ao lado de alguém. Porque do amor devemos tomar aquela bela dose, de copo cheio, de alma cheia e de coração preenchido. Não importa quantas paixões vivamos, ou a intensidade delas, o que importa é que cada uma deixe um aprendizado. Desde uma lição de amor, até um aviso para que se evite erros futuros.

Aline Koga

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