Sobre o acaso

Eu sou daquelas que nunca acreditou no acaso. Mas calma, eu explico. Mesmo na minha constante impaciência, sempre acreditei que existe um motivo para as coisas acontecerem em determinadas épocas ou fases da nossa vida. E por isso tenho comigo a ideia de que nada acontece por simples “obra do acaso” e ele com certeza foi de suas obras, a mais linda.

Depois daquela noite que passamos juntos, as poucas horas de trocas de olhares, carícias e doces beijos, eu daqui ainda não me esqueci de nenhum dos detalhes… e esquece-los seria quase um pecado. O longo ensaio para te deixar ir, para me desvincular daquele abraço que não se limitava apenas ao aspecto físico, mas que me abraçava como um todo, de alma, corpo e coração. Ah como odeio despedidas…

A troca de energia é quase inexplicável, os sorrisos dados e devolvidos de maneira síncrona me levam daqui para outra dimensão em questão de segundos. Ainda não sei o que há por detrás daquele sorriso que me encantou, até agora não entendi o porquê sorrio só de lembrar dele. A sensação de poder aprecia-lo pessoalmente ao invés de inúmeros pedidos para que o mantivesse sempre, me fez passar longas horas de viagem de volta para a casa refletindo sobre o estranho efeito que me causou. Em tão pouco tempo, com tão poucos gestos, mas que foram certamente os mais delicados e mágicos já direcionados a mim. É um tanto quanto confuso pensar que o acaso te trouxe até mim naquela noite e naquela mesma noite me tomou.

Eu gostaria mesmo que por vez única escrever algo que não estivesse imerso em tanta melancolia, porém como não escrever se nesse jogo do acaso, eu sempre perco?

Por mais que eu tenha ensaiado paixões que a princípio me pareciam promissoras, não consegui sentir em meses o que senti naquela noite fria de agosto, o que me faz pensar na reciprocidade de cada um dos gestos. O problema de ensaiar paixões é ter que conviver com toda a disciplina que ela nos impõe, cada detalhe meramente planejado, com direito a dia e hora marcada assim como uma peça de teatro, e não se atrase, caso contrário terá de comprar ingressos para outra peça. Mas não se preocupe, existem muitos atores desempenhando esses papéis.

 Talvez o motivo seja novamente o acaso, por essa mágica sensação em ser pega de surpresa, em viver essas paixões instantâneas daquelas que se pudesse levaria junto na bagagem. Daquelas que carregará consigo por muito tempo na mente e no coração, aquela que mesmo não sendo aparentemente promissora ou como dizem, aquelas que fazem nosso “tipo”, mostram que fugir à regra é surpreendentemente maravilhoso.

Mas ao acaso, dou meu recado, continue me trazendo dessas paixões, mas se possível na próxima só me traga, não me leve.

Aline Koga

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